domingo, junho 05, 2011

Montevidéu (parte 1) - O início da aventura sul-americana

Daí que Deus abriu uma janelinha pra mim e disse que eu iria trabalhar em Buenos Aires uma semana por mês enquanto a amiga Carol estivesse cuidando de seu pequeno e fofucho Lucas. E, além de uma oportunidade incrível de desenvolver meu castellano safado e conhecer gente nova, isso significa aproveitar os finais de semana pra me jogar nessa loucura desenfreada que é a América Latina. É bom estar de volta à estrada. E só eu sei como isso me faz bem. E nem preciso ir tão lá no fundo do meu ser pra saber o quão necessário isso é pra mim nesse momento. Primeiro destino: Montevidéu.

Um avião saindo de Buenos Aires chega lá em 35 minutos. É mais perto que Rio-São Paulo. Mais ridículo que isso só o fato de o Aeroparque (aeroporto pertinho do centro portenho) não ter guarda-volumes. E eu contava com isso pra largar minha mala grande e não precisar pagar 30 dólares à Pluna por bagagem despachada. Me ferrei bonito. Cheguei à capital do Uruguai tarde da noite, surpresa com a modernidade do aeroporto de Carrasco (vergonha-mor do Galeão). Arquitetura, organização, ambientação, tudo lindo! “Rá! Aqui vai ter guarda-volumes”, pensei. Não tem. E toma-lhe Marcelinha pegando um busão às 23h até o centro com mala de rodinhas. 

O ônibus me deixou no terminal rodoviário Tres Cruces. E foi ali, nessa rodoviária bem ajeitadinha (vergonha-mor da Novo Rio) que eu encontrei um guarda-volumes. Inacreditável. Deu de mil a zero naquela modernidade aeroportolesca. E sem compreender uma palavra do que dizia o taxista, cheguei ao albergue, “El Viajero”. Bem simples, com staff extremamente simpático. E fui contemplada com uma ser humana no meu quarto que roncava que nem homem. Eu, que nem estava exausta, apreciei a sinfonia.

De manhã cedinho, curtindo a simplicidade do café (pelo menos tinha doce de leite), ganhei a companhia de um casal de gringos. E quando falaram que eram ingleses, eu quase levantei da mesa (não é preconceito; tenho razões atuais para isso). Mas foram tão legais e fofos que eu me convenci que alguns britânicos se salvam. E como virão morar no Rio ano que vem, pegamos uma amizade forte!

E fui desbravar Montevidéu começando pelo bairro do albergue, Ciudad Vieja. É onde fica o porto (que não se pode visitar), o Mercado do Porto (o paraíso da variedade de carnes assando), alguns museus e... ninguém nas ruas. Me deu até medo, juro. Talvez por ser fim de semana estava tudo deserto. Silêncio. Eu só ouvia meus passos na calçada. E muitas partes da região não são nada bonitas, nem me pareceram muito seguras. E eis que um senhor acompanhado de um cachorro vestido com pulôver roxo (estava frio, gente!) puxou conversa dizendo pra eu tomar cuidado com assaltantes, pra não ficar com a câmera muito exposta, evitar algumas ruas e tal. Também falou pra eu ligar pra ele se quisesse sair à noite (senta, Claudia!) e, quando começou a xingar o cachorro de estúpido e maricón eu já queria estar bem longe dali.

No centro, ao redor da Plaza Independencia e ao longo da Av. 18 de Julio, já havia bem mais gente. Ufa! Todos com sua garrafinha térmica debaixo do braço e sua cuia de mate na mão. Todos mesmo! Deu até vontade de comprar uma. Mas ainda nada de extremamente interessante. Uma fome monstra já tomava conta de mim, mas eu tenho uma mania horrível de não entrar nos primeiros restaurantes que encontro por pura insegurança por estar sozinha. Bobeira total. Uma hora depois eu supero, é sempre assim. Entre sentir vergonha e morrer de fome, acabo ficando com a primeira opção. 

Ainda em busca de atrações um pouco mais interessantes e de um lugar pra comer, eis que avisto ao longe uma casa de parrilla. Foi como um oásis no meio do deserto. Assim que entrei, vi que havia outra mulher almoçando sozinha e me senti bem mais confortável. E foi ali que comi uma das melhores carnes da minha vida. Era um asado cheio de gordura e sabor que me fez sorrir novamente. Acompanhado de uma taça de vinho, então, me fez feliz pra sempre. As carnes da Argentina são incríveis, mas as do Uruguai são insuperáveis.

(continua...) 



segunda-feira, janeiro 17, 2011

Dicas rápidas - Patagônia argentina

Ushuaia – os principais passeios são:

*Barco pelo canal de Beagle (reservei no hostel, mas na beira do canal há várias casinhas/agências que vendem o passeio). Legal pra ver o Farol, pinguins, leões marinhos... Faz frio!

*Glaciar Martial: esse é de graça e não precisa de agência. Vc só paga o taxi até o pé da montanha e o aluguel da bota, caso precise. Um dos passeios mais lindos! Vc vai subindo a montanha cercada de neve (em abril tinha neve!).

*Museu do Presídio: não é o Guggenheim, mas é interessante. E tb não precisa de agência.

*Parque Nacional Terra do Fogo: não deu tempo de ir, mas dizem que vale a pena. Agências fazem o passeio, mas dá pra ir por conta própria.

*Recomendo o restaurante Sabores Patagonicos. Todo de madeirinha e serve uma delícia de sopinha de abóbora com parmesão.


El Calafate:

*Glaciar Perito Moreno: esse é o passeio mais incrível de todos! E o mais caro tb. Tem que reservar pela internet ou ir direto na agência Hielo y Aventura, que fica na avenida principal da cidade. O ônibus te busca no hotel e leva até o porto de onde sai o barco pro glaciar. E aí vc calça aqueles sapatos com “crampones” e faz uma caminhada pelo gelo. É demais! Paisagem mais linda da Patagônia!

*4x4 nos balcones: vc tb reserva numa agência na Av. Libertador. Tb não é barato. O jipe te busca no hotel e sobe as áridas montanhas em busca de aventura, paisagens bonitas, lebres e raposas. 

*Recomendo o restaurante “La vaca atada”, na Av. Libertador.

domingo, novembro 21, 2010

Reflexões de quem deixou o coração em outro continente

"Saudade é um sentimento que, quando não cabe no peito, escorre pelos olhos".

segunda-feira, novembro 15, 2010

Janelas da Alsácia

Ainda está pra ser criado um lugar com janelas mais legais que essas!

























Brasil-il-il!

Alsácia - Colmar / Riquewihr / Strasbourg

"Pôxa, você parou de escrever de repente"! Parei, gente. Não foi por falta de vontade, mas entre ficar escrevendo num quarto de hotel e passar o dia aproveitando os ares de Paris pelas ruas eu fiquei com a segunda opção. Agora, mais de um mês após voltar ao Brasil (a verdade é que eu não voltei, mas isso é outro assunto), vou tentar recuperar minhas memórias e expô-las aqui.

Passei um mês vivendo e estudando em Paris, e tirava os fins de semana pra conhecer as delícias da França. E delícia é justamente o que não falta na Alsácia, a região nordeste do país, fronteira com a Alemanha (oba!). Colmar, Riquewihr e Strasbourg foram meus destinos nesses que foram os dias mais frios da minha vida. Tudo estava lindo, belo e ensolarado na França até esse fim de semana. O tempo cinza dá uma preguiça monstra, né, mas nada que acabe com meu espírito desbravador.

Escolhi conhecer Colmar há mais de um ano, durante uma aula na Aliança Francesa no Rio em que exibiram um videozinho sobre a cidade. Me apaixonei por seus canais, suas pontes e suas casinhas fofas. E ir até lá valeu a pena, pois tudo é ainda mais encantador ao vivo. Tirando o fato de que cheguei no fim da tarde de uma sexta chuvosa e o único evento era uma feira de agricultores com entrada paga. Ou seja, não havia quase ninguém nas ruas, só alguns restaurantes abertos. Paciência, né? Escolhi um mais despojadinho e comi a melhor batata rosti da minha humilde existência, acompanhada de um Riesling, vinho típico dessa região. E pensar que eu não dava a mínima pra vinhos brancos até esse momento.

No dia seguinte foi bem mais fácil cair de amores pelas fachadas de Colmar. Cada casinha que dava vontade de abraçar e brincar de boneca! Só não consegue ganhar da fofura extrema de Riquewihr (pronuncia-se "Riquevír"), uma micro cidade (quase não dá pra chamar de cidade) bem próxima. Meia hora de ônibus e você salta na entrada de Riquewihr, mas pode chamar também de conto-de-fadas. Isso aqui no Natal deve ser uma coisa de maluco. Uma ladeira de paralelepípedo cercada das mais amáveis e coloridas casinhas e lojinhas, enevoada pelo cheiro dos macarons, bolinhos deliciosos que, infelizmente, causam dor de barriga.

Riquewihr faz parte da rota do vinha da Alsacia e, pra falar a verdade, eu decidi conhecê-la na esperança de conseguir ver uma plantação de uvas. Só isso. E nem foi difícil. Imaginem minha alegria ao constatar que a cidade é CERCADA de plantações de uvas! Existe um tour em que você paga alguma coisa e caminha pelo morro cheio de uvas. Ou então você pode ser curioso como eu e descobrir que, do outro lado da estradinha, há um campo enorme, aberto e gratuito, cheinho das mais lindas uvas, roxas e verdes. Amei! 

Fui a Strasbourg porque é a cidade mais conhecida da Alsácia e é onde fica o Parlamento Europeu. A cidade é bonitinha, bem maior que Colmar. Ela sim tem cara de cidade, mas não a mesma magia das menores. De qualquer forma, é uma delícia caminhar margeando o rio até os prédios do Parlamento, que não têm absolutamente nada a ver com o resto do lugar. Melhor ainda quando o solzinho tímido resolveu dar o ar da graça por cinco minutos e iluminar os sobrados e meu coração.

 Colmar







Riquewihr










 Strasbourg