A pessoa
passa um ano e meio sem férias. Acha que não vai aguentar. Mas resiste e
é compensada com 2012, esse ano lindo de férias em dobro. Então, vamos nessa
que a estrada é o lugar preferido dos meus pés. Da minha mente e de todas as
células do meu corpo também.
De repente,
Califórnia. Não dá pra começar de outra maneira. É óbvio, eu sei, mas gosto de
obviedades. E a Califórnia é cheia de todas as obviedades de que sempre ouvimos
falar. Por outro lado, é tão surpreendente que é impossível não se apaixonar
por ela. Surpresa e paixão definem os dias que passei em San Diego, minha primeira parada. A gente mal
ouve falar de San Diego aqui no Brasil. Claro, Los Angeles e San Francisco
pegam todos os holofotes pra elas. E quer saber? Sorte de San Diego, que
consegue a proeza de ser um lugar encantador e sem aquela manada de turistas
pelas ruas. Se eu pudesse defini-la em uma expressão, seria “Have a nice day”,
pois é o que mais se escuta todos os dias, a qualquer hora, em todos os
lugares. Não é forçação, é gentileza. As pessoas em San Diego são tão doces e
simpáticas que dá vontade de sair abraçando todo mundo. É muito amor. Que sorte
eu ter vindo pra cá.
Cheguei num
dia (bem) quente de verão, já pegando amizade com o motorista do shuttle e o
cara da recepção do hostel. Esse último, Sam, realmente era “O” cara!
Completamente despenteado, sempre com uma roupa bem mulamba, passava o dia
inteiro descalço e as noites bêbado e me deu as melhores dicas que eu poderia
receber. O maluco era o fervo! aluguei uma bike (que eu batizei de Dieguita) e
não poderia ter feito coisa melhor. Dieguita foi minha maior companheira:
passeamos por Seaport Village, pegamos a balsa (bikes são bem-vindas a bordo e
os ônibus têm um lugar especial pra elas, coisa de lugar evoluído) e passamos a
tarde inteirinha morrendo de amores por Coronado, uma ilhota com casas lindas, gente fofa e onde eu moraria fácil. Uma
paradinha estratégica pra molhar os pés no Pacífico e comprovar que 1) sim, a água
é muito gelada e 2) sim, o mar é lotado de algas pentelhas que enroscam na sua
perna. Continuando a pedalada e, opa, um casamento no meio do caminho, em plena
calçada, pra todo mundo ver. Adorei.

Pra
terminar a tarde, ainda em Coronado, música ao vivo e de graça no Spreckels
Park. Era o último dia de concerto porque o verão estava chegando ao fim. E o
parque estava lotado de gente, vários grupos de amigos de todas as idades
fazendo piqueniques, barraquinhas e mesas cheias de comida.
Humilde que sou, sentei num cantinho e abri minha bolsa pra pegar um pedaço de
pão singelinho e enganar o estômago. Eis que um anjo chamado Steve, um senhor
cheio de outros amigos senhores, olhou pra mim e me convidou pra me juntar a
eles e desfrutar de companhia e de todas aquelas comidinhas maravilhosas
preparadas por eles mesmos. Gente, eu não conseguia acreditar naquilo. Meu
primeiro dia numa terra desconhecida, num país não muito famoso pela
receptividade, e fui acolhida por essas pessoas tão queridas, tão abertas que
fiquei até sem graça. Juro, tive vontade de chorar de emoção. O sol foi
baixando, o coração enchendo ainda mais de alegria e o papo rolando solto com a
trupe do seu Steve. Ali eu sabia que minha viagem seria incrível.
Os ferries
entre San Diego e Coronado têm horas certas de saída, mas toda aquela mágica da
ilha obviamente me fez perder a hora. Até dei uma corrida com Dieguita, mas não
teve jeito: cheguei no porto e a barca tinha acabado de partir. Nada é por
acaso. Porque esperar a próxima partida sentindo aquele ventinho gostoso e
admirando San Diego toda iluminada do lado de lá da baía foi pra ser feliz pra
sempre.