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quarta-feira, outubro 21, 2009

Paris - Look into your heart and you'll find love

Finalmente o post do último dia de viagem, quase um mês depois...

Marquei de encontrar o Pietro (meu novo amigo brasileiro) na Republique, bem perto do hostel, às 9h30, mas antes tinha que tomar café e fazer o checkout. Já tinha passado das 9, eu tinha devorado o café em 4 minutos, mas ainda faltava descer com a minha mala de 23 kg. E o elevador resolveu não funcionar. Desespero batendo, eis que surge um ser iluminado, musculoso, charmoso, simpático que fez a bondade de carregar a mala pelas escadas. Era brasileiro, o fofo. E essas aparições só acontecem qdo eu to indo embora...

Mas deu certo. Pietro foi uma super companhia e meu fotógrafo oficial (afinal é muito chato ficar tirando auto-retrato e sorrindo pra vc mesma). O mais louco foi que conseguimos o recorde de visitar todos os principais monumentos de Paris num só dia. Praça da Bastilha, Place des Vosges,Île de St Louis (onde, por indicação de amigos, tomei o sorvete mais caro da minha vida. Mas era de chocolate branco, era uma delícia e eu consegui estabelecer um diálogo razoavelmente grande e complexo em francês com o vendedor), Île de La Cité, Notre Dame, Louvre, Jardin des Tuileries, Place de La Concorde, Champs-Élysées e Arco do Triunfo. Isso tudo a pé. Com direito a muitas fotos fanfa no caminho (comprove abaixo).

Só no fim da tarde, depois de um almoço bem gorduroso num fast food francês, pegamos o metrô pra Montmartre. Gente, como eu ADORO esse lugar! As ruas de paralelepípedo são lindas, as praças com seus artistas, os cafés. Pra mim, a Sacré-Coeur tem o interior de igreja mais lindo do mundo, e eu me emocionei de novo lá dentro.

A essa altura uma sensação muito doida já tomava conta de mim. Sensação de vitória, de conquista, de saudades de Paris, de saudades de casa. Vontade de abraçar aquela cidade, de abraçar a mim mesma. Um orgulhinho por ter corrido atrás de algo que eu queria e ter conseguido chegar ali, de novo. Muita emoção junta. Ainda fazia sol e sentamos na escadaria da Sacré-Coeur, junto a milhares de outros turistas. Um músico amador começou a tocar músicas lindas no violão. E eu fiquei meio ali, meio fora dali, em algum lugar que eu não lembro, mas que era só meu. E, como da primeira vez em que me despedi de Paris, chorei incontrolavelmente em silêncio (e agora to toda emocionada lembrando daquele momento). Muito feliz. Muito.

Pedi pro seu moço do violão tocar uma música do Oasis antes de eu voltar pra buscar a mala no albergue. E ainda deu pra passar correndo no mercado pra comprar queijo, geleia e biscoitos franceses. Amo os mercados da França. A caminho do aeroporto, meu coração já era todo saudades de casa. O voo foi muito chato. Nada pra fazer e lo-ta-do de chineses que não paravam de falar. Levantavam pra conversar com os colegas que estavam sentados mais longe. E até qdo o avião passava em zona de turbulência e mandavam todo mundo sentar, eles continuavam em pé, conversando. Os comissários davam o aviso de atar os cintos em francês, inglês e português. Três línguas. E os chineses não se esforçavam. Uma comissária, já impaciente, falava “siiiiiit doooooown” e fazia mímica pros caras entenderem. Os chinas repetiam os gestos dela, riam feito bobos e continuavam ali, em pezinhos no corredor, conversando. Se eu já estava irritada, imagine a pobre da comissária.

E aí cheguei!! Meu pai me deu um abraço apertado em silêncio e tenho quase certeza que ele estava emocionado. Eu estava. Pq a Europa é linda, é foda, é um sonho, é mágica e eu quero voltar sempre. Mas o Rio é o Rio. É a mais nova cidade olímpica. E é aqui que me sinto em casa.
















E um videozinho pra alegrar a vida:

Pra finalizar, a música que marcou essa minha aventura do outro lado do oceano. Eu ficava olhando aquelas paisagens europeias pela janela dos trens, aí ela tocava no meu mp3 player e eu sentia uma felicidade intensa e plena. Daquele tipo que percorre o corpo todo.
Well open up your mind and see like me
Open up your plans and then you're free
Look into your heart and you'll find love, love, love...

domingo, setembro 27, 2009

Paris - O corpinho pede arrego

Hj pra acordar foi uma merrrrrrrrrrrrrrda! Realmente o quarto é bem melhor que o outro, as pessoinhas dormem direitinho e nem roncam, e o colchão parecia que estava me abraçando. Ai, que vontade de dormir o dia inteiro! Mas é Paris, não dá! A mocinha do café é bem mais simpática que a que trabalhava aqui ano passado, mas a comida continua exatamente igual.

Queria ir a Versailles amanhã, mas segunda as coisas não abrem, então tive que ir hj mesmo. Cara, a fila dava umas cinco voltas. Uma hora e vinte em pé, debaixo de um sol de meio-dia e identificando vários brasileiros paraíbas com camisas de time. Pq é muito fácil identificar as pessoas pela nacionalidade:
Com camisa de clube – brasileiro
Mulher com boné – brasileira
Falando alto – brasileiro
Tirando fotos engraçadinhas e se achando “o” palhaço – brasileiro
Casaquinho nos ombros, feito o tio Sukita – paulista

Gente, não to falando mal não! É só engraçado ficar brincando de achar brasileiro, principalmente quando se está sozinha numa fila. Bom, aí eu fiquei pegando um bronze francês durante quase 1:20! E qdo cheguei no balcão de informação, quase na boca da bilheteria, descobri que eu não precisava ter ficado na fila pq eu não queria ir ao palácio principal (já fui ano passado), só aos palaciozinhos da Maria Antonieta. Aliás, só me dei bem hj pq apresentei meu passe de trem e consegui ir de graça pra Versailles. Pq eu me ferrei várias vezes. Pra voltar pra estação de trem eu não podia cortar caminho por dentro dos jardins de Versailles pq meu ingresso não dava esse direito. Sério, eu andei que nem uma filha da puta em volta do terreno do palácio pra chegar na estação. Nesse momento, odiei com todas as minhas forças a riqueza da realeza francesa. Meu sonho é que os reis tivessem vivido num conjugadinho de 13m quadrados.

Eu fico super me achando qdo falo com alguém em francês. Qdo a outra pessoa fala poucas coisas é ótimo. Mas qdo ela insiste em falar frases enormes e super rápidas, fudeu. Eu vou lá e faço uma pergunta falando bem rápido, mas eu quero que a resposta seja beeeeeeeeeeeeeeem leeeeeeeeeeeeeentiiiiiiiiiiiiiiiiiiinhaaaaaaaaaaaaaaaa, senão o jeito é fazer uma cara estranha e pedir pra pessoa falar inglês. Aí toda a minha metidez vai por água abaixo.

Aí já eram cinco da tarde e eu até pensei em dar mais uma volta por Paris, mas meu corpo não aguentava. Vim direto pro albergue e tirei uma sonequinha divina por uma hora. Parecia que eu tinha dormido uma noite inteira, tamanho o alívio. Acordei na maior disposição e peguei o metrô pro Tocadéro, pra poder ver de pertinho a Torre Eiffel. Gente, eu lembrava do caminho! Tô boba com essas coisas. Mas o que importa é que a Torre estava lá, mais linda do que nunca e com a lua bem ao lado. Meio redundante dizer que eu comecei a chorar vendo isso, né_ E voltei pro albergue degustando um crepe de nutella e admirando os bonitinhos franceses no metrô.

E nessa minha última noite em Paris eu vou... dormir!!! A cidade luz já está toda no meu coração (desde que eu vim aqui a primeira vez) e preciso MUITO descansar mais pra aproveitar meu segundo último dia em Paris. Ano passado foi um cansaço emocional intenso. Portanto, posso esperar qq coisa.

PS: Sim, eu tiro muita foto FODA e elas viram quadrinhos na minha casa depois.





sábado, setembro 26, 2009

Paris - Não tem jeito

É a cidade mais linda do mundo. Não adianta. É e pronto. Vim pra cá, confesso, com uma certa pena de deixar Berlim. E pensando que ela não conseguiria mais me emocionar tanto, já que é minha segunda vez aqui. Bullshit! Fez um dia lindo, céu azul, não muito frio, e aí eu cheguei na margem do Sena, exatamente como no ano passado, e não consegui controlar o choro. As lágrimas saíam como torneira mal fechada. Foi do nada. Eu não pensei em nada, não forcei nada. Elas simplesmente vieram (em abundância!) e eu não tenho como negar que sou completamente apaixonada por esse lugar.

Aliás, é muito sebo esse negócio de “ah, é minha segunda vez em Paris”. É bom DEMAIS chegar aqui e já saber andar, qual metrô pegar, como mexer na maquininha de ticket do metrô, em qual rua entrar... Mas confesso que me surpreendi comigo mesma ao entrar no mercadinho em frente ao hostel e me lembrar exatamente onde ficava a água e a seção dos deliciosos biscoitos franceses. Choquei. Tô em casa.

Dessa vez eu vim sem roteiro. Saí hj e nem toquei no mapa. Já visitei as principais atrações da outra vez, então agora eu caminho sem rumo, entro onde der vontade, e isso é maravilhoso. Fiz um passeio bacana pelo Quartier Latin e comprei um croissant numa padaria com um cheirinho inesquecível de pão quente, que ia fisgando as pessoas pela rua que nem desenho do Tom e Jerry. Ah, e eu pedi em francês pq, cara, como eu me divirto falando francês! Falo pouco, mas já quebra um galho que eu nem te conto. Tirando com a mulherzinha do metrô, que eu pedi “um bilhete pro dia todo” e ela ficou toda querendo me dar esporro pq eu tinha que ter pedido “1-jour billet”. Ah, faça-me o favor.

Acabou que à tarde fui pro Louvre. Sim, eu sei que já fui lá, mas achei muito desperdício estar aqui tão pertinho de um dos melhores museus do mundo e não dar nem uma passadinha. O melhor é que fui de graça. Conheci no hostel uns brasileiros que já tinham ido lá hj e me deram o ingresso deles, que vale pro dia todo. Uhuuuuu!!! Louvre de graça foi lindo demais. Ok, passei de novo na Monalisa e na Venus de Milo, só pra dar um Hi 5, afinal a gente já se conhece. E depois saí andando pelo museu sem seguir nenhum guia. Sempre quis fazer isso.

Quase desfalecendo de fome mais uma vez, comprei um croque monsieur e fui ver o por-do-sol da Pont des Arts, sobre o Sena, com vista pras outras pontes, pra Torre Eiffel e pra Île de La Cité. Ou seja, paraíso na Terra. Aí a tarde foi caindo, o céu foi ficando alaranjado, depois rosa, depois violeta. E eu fui ficando ainda mais feliz, feliz, feliz...

Gente, tá tocando Chico Buarque na recepção do albergue!!! Emoção!!!

Sobre o albergue: Absolute Paris. É o mesmo do ano passado, mas o cara me botou num quarto horroroso. Velho, banheiro sujo e fedido, cortina do box nojenta, chuveiro que jorrava água pra fora. Aí botei minhas coisas em cima da única cama que me pareceu livre, na parte de cima da beliche. E tinha uma aranha enorme no teto, bem pertinho da cama. Não estava acreditando naquilo. Fiquei puta, mas achei melhor relevar e ir pra rua, afinal são apenas duas noites aqui. Aí eu voltei ainda há pouco e algum ser humano do quarto tinha tirado minhas coisas de cima da cama e colocado as dele. Tipo “Ooooooi!!!! Não viu que tinha coisa em cima da porra da cama”?? Aí não deu. Fui na recepção e pedi pra me trocarem de quarto. Agora estou num bem mais bonitinho, com banheiro limpo e, pela primeira impressão, pessoas organizadinhas. Graças.